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Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

Conheça o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e veja como foi a realidade de uma imigração cheio de desafios para manter a cultura japonesa viva até hoje no Brasil.


Eu participei do III Japão BR, um projeto desenvolvido pela Patrícia Takehana  do @bagagemdememorias, onde reuniu blogueiros de viagens para conhecer à cultura japonesa em São Paulo. 



Eu tive o privilégio de conhecer pessoas incríveis durante os três dias de imersão na cultura japonesa. Para mim, esse encontro foi especial por ter estabelecido um contato mais próximo da cultura em minha vida, tendo o conhecimento de escrever as minhas impressões para os meus leitores,  interessados em aprender à cultura japonesa.

No primeiro dia de manhã, nós conhecemos o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, inaugurado em 1978 e que fica localizado no prédio do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade. 

O museu possui três andares com registros sobre a vida dos imigrantes japoneses no Brasil: "desde o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão, passando pelos registros dos primeiros imigrantes, os núcleos coloniais, a policultura, a vinda das empresas japonesas até a abdicação do imperador Akihito em favor do filho príncipe Naruhito".

Antes de percorrer os corredores do Museu da Imigração, com exposições sobre a vinda e vida dos japoneses no Brasil, nós tivemos um encontro especial com a coach e coordenadora geral do Bunka Matsuri, a Carla Okubo.



Ela apresentou uma palestra, introduzindo alguns slides para ilustrar a essência da cultura japonesa. Logo no início, ela menciona a frase: "Para que você possa entender a cultura japonesa, precisa calçar o sapato". E isso é um fato real na rotina diária de cada um. Para qualquer situação de vida, para que você perceba as dificuldades e anseios do próximo, você precisa calçar o sapato dele.  "Se colocar no lugar do próximo".

As palavras de Carla Okuda me fez perceber que eu tinha uma imagem muito romântica e singela sobre a vinda dos japoneses ao Brasil e que, nunca havia imaginado como esse povo querido sofreu tanto no início do século XX. 

O primeiro impacto no Brasil foi um choque cultural, onde possuíam uma rotina bem diferente dos brasileiros: a alimentação (com base no arroz), costumes (um povo discreto e de fala mansa) e vestuário (adaptação da roupa, cortando o kimono para a lavoura). 

A chegada no Brasil foi em 1908, através do Kasato Maru, um navio de guerra, usado para transportar cargas, que não possuia a mínima infraestrutura para transportar famílias. A viagem foi longa e desconfortável, durando por volta de 60 dias.



Mas o sangue japonês grita nessas horas, disseminando a coragem, a bravura e a lealdade. O espírito japonês de SER: Yamato Damashi transforma a ansiedade, o desconforto, a insegurança em oportunidade de vida, de trabalho e novas conquistas. 

No dia a dia, você percebe a cultura japonesa se destacar das demais, principalmente quando há um evento internacional, onde todos as nacionalidades se unem em prol de algo em comum, como torcer para atletas brasileiros nos jogos olímpicos. "A disciplina, a hierarquia, a responsabilidade em grupo, união e harmonia, pensamento no coletivo, cortesia e gentileza são algumas posturas que fazem toda a diferença na postura de um cidadão".



A disciplina proporciona obediência e respeito pelas regras e normas para que sejam cumpridas. Se as normas existem, é porque elas facilitam a união e organização nos processos. 

A hierarquia posiciona o cidadão dentro de sua comunidade, onde o respeito pelo mais antigo leva-se muito em consideração. Os jovens tentam ouvir e seguir os ensinamentos dos pais e avós, figuras com experiência de vida. 

Responsabilidade em grupo mostra uma forma de cada um fazer a sua parte, não incomodando o outro: a união faz a força. Todos juntos possam agir em prol de um único objetivo, não deixando ninguém sozinho.

Harmonia proporciona uma simetria, conformidade nas ações em geral. Um ambiente harmônico cria-se paz e equilíbrio ao tomar decisões. 

Pensamento no coletivo para amenizar maiores distúrbios, como por exemplo, o estrago que uma usina nuclear pode causar no país. Japoneses idoso se candidataram para ajudar a conter o vazamento da usina. Como é uma zona de risco, caso haja alguma deformação nas células humanas devido a  radioatividade, o possível desenvolvimento de um câncer seria menos fatal a um idoso do que um jovem construindo família. 

Outro ato exemplar, dentro de muitos, foi a compra de água e mantimentos nos supermercados japoneses, na região da usina. Cada família comprou somente o necessário, para que todos pudessem ter acesso à mantimentos em suas moradias. 

Cortesia e gentileza também fazem parte de uma rotina onde, educar de forma gentil permite com que o respeito seja estabelecido entre os familiares: agir sem rispidez, falar baixo, ter paciência e pensar no próximo são boas formas para construir a base educacional de uma criança. 

O mais importante de tudo é agir, ajudar o próximo sem esperar nada em troca: "tratar a pessoa da melhor forma possível, antecipar às necessidades do outro, sentimento de gratidão e arte de bem cuidar"

A palestra da Carla Okudo abriu uma porta muito interessante de reflexão para que a platéia pudesse obter   a oportunidade de conhecer as nuances da cultura japonesa. Poucos eram os presentes na palestra com descedencia japonesa, deixando um relato rico de detalhes para todos os interessados e simpatizantes à cultura.  

Após a palestra e introdução do primeiro dia do III Japão BR, nós fomos conhecer o museu com a adorável companhia do senhor Paulo Takeda, que nos apresentou e guiou com empenho em todos andares do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil .



O museu possui três andares com exposições, onde eu presenciei formas de lutas pela vida, décadas de perseverança e oportunidades de transformação para uma vida melhor em cada corredor percorrido. O tempo dentro do museu foi emocionante, pois pude ouvir muitas histórias de sofrimento, conquistas, dedicação e gratidão por tudo e por todos. 

Logo no início do tour, nós vimos um grande mapa mundi ilustrando a saída dos japoneses do Japão. Alguns motivos levaram os japoneses a saírem do Japão, mas, eles não vieram direto para o Brasil, no primeiro momento. Antes, eles foram para o Hawai (1968), os EUA (1888), o Peru (1899) e depois, chegaram no Brasil, em 1908.


Quais foram os motivos que levaram os japonese saírem do Japão?

De foma resumida, há três linhas de pesquisas possíveis sobre a saída deles do Japão:

1- O Japão ficou fechado por mais de 200 anos no intuito de manter a cultura japonesa intacta, criando um problema no desenvolvimento do país, que era classificado, nessa época, como feudal.  Com a abertura dos portos, que foi um fato gerador necessário, o foco na agricultura diminuiu, acabando a época feudal e, 70% dos camponeses japoneses ficaram desempregados.  

2- Houve uma divulgação interna no Japão de que havia uma árvore no Brasil, que dava muito dinheiro no plantio e colheita: o  café. Como muitas famílias eram camponesas, tiveram interesse de buscar terras brasileiras para o plantio do café.

3- O Japão tinha acabado de sair de uma guerra de forma vitoriosa, mas completamente falido. O país não tinha condições financeiras para manter a sua estrutura feudal por muito tempo, por isso, estimulou os camponeses a saírem do Japão em busca de emprego. 

Curiosidade: uma melhoria no transporte internacional foi a inauguração do Canal do Panamá, onde encurtou a viagem do Japão até o Brasil.


Como foi a imigração dos japoneses no Brasil?

O Brasil iniciou a imigração através de um convite para cada família. Ao todo, foram contabilizadas 165 famílias ou 781 pessoas. A intenção era fornecer um passaporte único, por família, para que não desistissem do trabalho na lavoura e  para dificultar a fuga dos imigrantes das fazendas. 

Os japoneses chegaram no Brasil no dia 18/06/1908 e tinham que pagar USD100 para fazer o processo de imigração. As dificuldades eram muitas devido ao clima, vestuário e língua materna. Iniciava-se uma longa jornada de adaptação dos japonese no Brasil, em um contexto onde o clima apresentava altas temperaturas, os kimonos eram cortados para o trabalho na lavoura e a língua materna que continha fonemas imperceptíveis à realidade na América Latina.

Como foi o tratamento dos japoneses no Brasil?

Os japoneses acabaram sendo tratados como escravos substituindo os negros após a escravatura. O pagamento, pelo trabalho realizado era feito uma vez por ano, mas, na prática, ninguém recebia nada. Os fazendeiros diziam que os imigrantes eram devedores, pois recebiam moradia, roupas e comidas, por isso, deveriam pagar os custos através do pagamento feito anualmente.  Eles precisavam ficar na fazenda até saldar a dívida com os fazendeiros.



Dessa forma, houve uma grande insatisfação dos jovens, que não admitiam ser enganados e explorados. Na época, eles não tinham contato com Japão, inclusive parentes. E o dinheiro que deixaram no Japão (yen) não foi enviado pra o Brasil, causando mais conflitos dentro da comunidade.



Curiosidade: a moeda japonesa yen foi deixada no Japão, pois o Brasil não aceitava a moeda. Muitos japoneses deixaram as suas economias com o senhor Ryo Mizuno, um homem do setor financeiro e responsável pelo câmbio e envio do dinheiro para o Brasil. O tempo se passou e parte do dinheiro não foi enviado, causando muitos conflitos internos, pois acreditavam que ele tinha ficado com tudo. Dizem que o  problema foi do sistema bancário, que era arcaico, isentando o senhor Ryo Mizuno da culpa.



Devido a tanto sofrimento, os japoneses começaram a fugir das fazendas e ir para a selva, onde construíram suas cabanas com troncos de árvores. Há uma réplica no museu de como era a casa do colono nessa época.



A vida na selva foi uma nova superação de vida, onde agora, os perigos eram outros como não serem devorados pelos animais selvagens e fugirem das terríveis doenças causadas por picadas de mosquitos e aranhas venenosas.



Aos poucos, a comunidade foi produzindo para a sua sobrevivência e no decorrer dos anos, canoas foram confeccionada para escoar a produção e as pessoas de um lugar para o outro. Nessa época, a grande preocupação dos japoneses era em construir escolas para manter as suas tradições e cultura, com o mesmo anseio que os europeus tinham em construir igrejas.

O que aconteceu a imigração em geral durante o Estado Novo de Getúlio Vargas?

Durante o Estado Novo, houve uma campanha de nacionalização, ocorrendo um conjunto de medidas para diminuir a influência das comunidades de imigrantes estrangeiros no Brasil, forçando uma integração deles juntos à população brasileira. 

Devido a isso, Getúlio Vargas restringiu a imigração no Brasil e a cultura de qualquer povo imigrante,  fechando as escolas, onde era o origem de perpetuação da cultura estrangeira

No primeiro momento, a campanha abordou o ensino nas escolas, onde a língua portuguesa era obrigatória, sendo proibido ministrar aulas estrangeiras para menor de 14 anos. As escolas tinham que ser batizadas por nomes brasileiros, os professores tinham ser natos ou naturalizados brasileiros sendo graduados em escolas brasileiras. 

Depois disso, iniciou-se a proibição de falar idiomas estrangeiros em público, as associações culturais e recreativas tiveram que fechar as suas portas e os jornais entraram em um período de transição, onde precisavam contratar um redator brasileiro para que as publicações fossem feitas em português, sem contar com artigos patrióticos de autores brasileiros. 

Uma época patriótica, onde qualquer comércio, imprensa, escolas, igrejas, clubes e afins pertencentes à imigração estrangeira deveriam mudar a sua metodologia e nome para se adequarem a cultura brasileira. 

Como foi o período da Segunda Guerra Mundial?

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a repressão do governo brasileiro aumentou nas comunidades com nacionalidades pertencentes as Potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão. Os que não falavam português eram presos, havendo restrições às liberdades individuais como viajar, além de apreensões e destruições dos registros estrangeiros como livros, jornais, revistas e documentos.  

Muitos imigrantes japoneses fugiram para o interior de São Paulo ou para outros estados que não haviam uma fiscalização tão rígida para sobreviver de um período com regras rígidas em favor da pátria brasileira.  

Como surgiu o nome da Praça da Liberdade?

O bairro da Liberdade era considerada uma área da periferia de São Paulo, sendo considerado os fundos da igreja da Sé, onde era o reduto dos negros e local de um grande cemitério público. 

Antigamente, a Praça da Liberdade era chamado de Largo da Forca, sendo local onde os desertores eram enforcados, em praça pública. Chaguinhas, um soldado negro, que liderou uma rebelião para reivindicar os pagamentos dos militares, foi considerado um desertor e, por isso, seria morto na forca. 

Foi levado para a Igreja Nossa Senhora dos Aflitos ou Capela dos Aflitos (ainda existe a edificação), lugar onde os enforcados deixavam os seus últimos aflitos até a chegada da morte, no Largo da Forca. 

Quando foram enforcar Chaguinhas, a corda se rompeu por três vezes e o povo clamava por Liberdade. Esse marco foi o divisor de águas para renomear o Largo da Forca para Praça da Liberdade.




Eu poderia dissertar por um bom tempo sobre todas as histórias que ouvi, documentos que li e exposições que vi. Mas, eu tenho certeza que a sua visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil será transformadora, agregando valor aos ensinamentos que você adquiriu até hoje. Perceber, entender e disseminar as nuances de uma cultura milenar mantem ela viva por mais uma eternidade.

Curiosidade: no último andar você pode conferir uma arte gigante, distribuída por painéis do artista plástico Seiji Togo, onde retrata as "Paisagens do Desbravamento dos Imigrantes". Infelizmente ele não esteve na inauguração de sua arte no museu, pois faleceu logo após finaliza-la.




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Dani Turismo

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